Olá, caro (a) leitor (a).
Estive pensando a respeito da falta de qualidade de vida da qual desfrutamos atualmente. Sobretudo de ordem cultural, o que reflete na sociedade de forma agressiva e devastadora.
Àqueles que acham que cultura quer dizer somente literatura, artes cênicas, trabalhos artísticos, muita calma nessa hora! Cultura quer dizer, antes, EDUCAÇÃO, RESPEITO. É o resultado das informações e formações recebidas. E a principal formadora de caráter.
E que lastimável é nossa situação! Fico arrepiado, por exemplo, a cada e-mail que abro, até mesmo de alguns colegas de sala da faculdade, tamanha quantidade de erros na escrita. Se esta parte já está assim, o que dizer ou esperar das atitudes em geral?
E, feliz ou infelizmente, creio não se tratar de relaxo ou falta de vontade, mas sim de pura falta de conhecimento mesmo.
Porém, essa “deficiência” é muito bem explorada pelos algozes detentores da informação. Os meios de comunicação vêm se portando de maneira tão esdrúxula, que criam um comportamento surreal na sociedade.
Sensacionalismos, falta de respeito, perda da noção de limite, sobreposição dos direitos em detrimento dos deveres…
Para melhor ilustrar tudo isso, abaixo transcrevo um texto sobre a indignação do ator Wagner Moura, sobre o episódio em que fora abordado pelo pessoal do “Pânico na TV”.
Só posso dizer que assino embaixo de tudo o que ele diz. E que espero poder ver essa situação mudar para muito melhor um dia.
Abraço fraterno a todos! Leiam a matéria abaixo.
Obrigado por sua visita!
Há três semanas, o ator Wagner Moura sofreu uma abordagem da equipe do
“Pânico na TV!”, da RedeTV!, que passou dos limites. No dia 29/05/08
foi divulgada uma carta aberta em que o ator critica o que chama de
“espetacularização da babaquice”.
“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas
semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse
que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para
seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me
esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de
alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do
muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano
e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e
eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com
a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera
rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo
que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as
pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que
sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente
entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza
com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo ‘que coisa
horrível’ (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo
assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi
depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma
coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco,
me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em
que reagir é pior.
O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos.
Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é
engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os
incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador?
Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos;
pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores
que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO
mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos
idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar
meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a
mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.
Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade.
Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas
e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve
gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de
ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da
fama? Não engulo essa.
(…)
No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que
me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia
feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de
contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos.
Será?”